Tribuna livre: cuidadora de crianças aborda atribuições do cargo e defende adequações

IMG 9991A cuidadora de crianças Renata Matozinho e os vereadores da Mesa Diretora, ao fundo: readequações da categoria em pautaRepresentando a categoria, a cuidadora de crianças Renata Matozinho Dias de Aguiar ocupou a tribuna livre da Câmara, na sessão ordinária de segunda-feira (4); assista aqui. A servidora pública comentou as atribuições do cargo, que segundo ela é ocupado atualmente por cerca de 150 profissionais no município. Ela também destacou as especificidades do trabalho, que depende da formação de um “vínculo” com as crianças “de zero a três anos e onze meses”, nas escolas - vínculo esse que “às vezes fica um pouco quebrado, pela carga horária [atualmente praticada] e pelo trabalho que já é difícil”. Na mesma data, a Câmara havia aprovado por unanimidade uma Moção de Apelo,  de iniciativa do vereador Professor Adriel (PT), que pede que a prefeitura promova a alteração da nomenclatura e das atribuições das cuidadoras, garantindo a redução da jornada de trabalho. 

DIÁLOGO

Logo no início do discurso, Renata explicou que se tratavam de demandas “importantes para a categoria, para a escola, para o município e para as crianças”. Destacou a relevância do serviço para a comunidade. E cumprimentou profissionais da categoria que estavam no Plenário. Ela ainda agradeceu ao apoio dado pelos vereadores, em especial ao autor da Moção, Professor Adriel. E disse que também vem tendo um “diálogo aberto” com a secretaria de Educação, sobre as demandas. “Nós temos reuniões e uma devolutiva positiva deles [...] Estamos vendo que estão, sim, se empenhando em fazer essa reestruturação, em conseguir fazer com que tenhamos essas mudanças que a gente tanto espera”, afirmou a servidora pública, destacando que não usaria o espaço para ataques e cobranças. 

VÍNCULOS

IMG 9812Diversas cuidadoras estiveram presentes no Plenário, assistindo à sessão ordinária: classe reivindica redução da carga horáriaRenata comentou que o cargo remete ao ano de 2012, ocasião em que foi realizado o primeiro concurso público para a categoria. “Na escola, nós fazemos a maior parte do trabalho relacionado às crianças menores, de zero a três anos e onze meses”, salientou, citando, dentre as atribuições: o acompanhamento da entrada dos estudantes, o fornecimento de alimentação e banho, a higienização após a realização de atividades e até mesmo a garantia da segurança dos alunos, inclusive em ambientes externos. “Estamos sempre cuidando para que elas [as crianças] estejam bem seguras”.

Ela também reforçou a necessidade de formação de vínculos entre as profissionais e as crianças, para a garantia do bom trabalho. “A gente desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento das crianças. E precisamos criar um vínculo com elas, para que confiem na gente e consigamos trabalhar”, afirmou. “Esse vínculo às vezes fica um pouco quebrado, pela carga horária e pelo trabalho que já é difícil”, destacou a profissional, explicando que, pelo cenário atual, muitas delas permanecem de oito a nove horas na sala de aula, “ou às vezes um pouco mais”, em caso de necessidade de horas extras. 

ACOLHIDA

Presidente da Câmara, o vereador Alexandre Pinheiro (PTB) comentou a participação da profissional na tribuna livre. “É alguém que está em campo, na sala de aula, nos prédios escolares. E tem muito know how para falar sobre isso”, disse. Ele parabenizou a participante, por representar a luta da classe, e comentou que no passado haviam sido feitas promessas à categoria - inclusive de valorização e de mudança de cargo, o que não foi cumprido. O parlamentar se colocou à disposição das demandas.

Professor Adriel (PT) também afirmou que “essa é uma luta de todos nós”. “O diálogo é capaz de abrir portas”, disse, manifestando expectativas de que a categoria obtenha êxito em seus pedidos. “Hoje estamos colhendo frutos,  com diálogos em todas as vertentes sérias do município, e esperamos contar com o apoio dos vereadores [....] para que tenhamos uma união cada vez maior”, disse a cuidadora. “Nosso trabalho transforma diretamente os cidadãos, e, portanto, a sociedade”, concluiu. 

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